Oficina realizada na Praça das Fiandeiras aproximou participantes da história, da arte e da memória do trabalho em Cataguases

No dia 30 de setembro, a história de Cataguases ganhou novas formas pelas mãos de jovens e adultos que participaram da oficina Maquete da Memória: Praça das Fiandeiras, ministrada pela tecnóloga em Cinema de Animação Claudia Marques. Realizada gratuitamente, a atividade nasceu de um projeto inscrito na Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), no segmento de Artesanato, e propôs uma maneira criativa de conhecer e ressignificar um dos espaços mais emblemáticos da cidade.
Carinhosamente conhecida como Praça das Fiandeiras, a Praça José Inácio Peixoto abriga o monumento dedicado ao industrial que marcou os caminhos sociais e econômicos de Cataguases. Construído em 1958, o conjunto reúne diferentes expressões da arte moderna brasileira e também memórias ligadas ao trabalho e à indústria têxtil, atividade fundamental para a formação da identidade da cidade.
A proposta da oficina partiu justamente desse encontro entre fazer manual e memória. Para o professor Ícaro Furtado, um dos participantes, a experiência ultrapassou o aprendizado de uma técnica. “Só de estar aqui, minha mente se acalma, minha criatividade se expande”, relata, destacando também o caráter terapêutico da atividade.

A designer de moda Angélica Diniz ressalta outra dimensão da experiência: a possibilidade de conhecer a história local por uma perspectiva diferente. “Esse monumento reúne muitos nomes expressivos daquela época, entre eles Portinari, que continua a nos inspirar em cores e formas”, reflete.

O monumento é, de fato, uma espécie de aula a céu aberto sobre história da arte e memória do trabalho. O conjunto reúne a escultura A Família, de Bruno Giorgi, criada como homenagem aos trabalhadores da Companhia Industrial Cataguases, empresa cuja trajetória esteve profundamente ligada às famílias da cidade. Em diferentes setores da fábrica de tecidos, gerações de trabalhadores compartilharam o cotidiano de uma atividade que deixou marcas profundas na economia e na vida social local.

A arquitetura do espaço também carrega significado. O projeto de Francisco Bolonha remete à estrutura de uma fábrica, enquanto o painel de azulejos As Fiandeiras, de Cândido Portinari, acrescenta ao conjunto uma das referências mais expressivas da arte brasileira. A construção do monumento foi financiada coletivamente por operários, empresários e amigos de José Inácio Peixoto.
Tombado como patrimônio, o monumento está entre os bens culturais mais visitados de Cataguases. Sua força simbólica talvez esteja justamente na capacidade de conectar grandes nomes da arte a uma memória compartilhada pela população: praticamente toda família cataguasense tem ou teve alguém ligado à Companhia Industrial Cataguases.

Ao transformar esse patrimônio em maquete, a oficina propôs mais do que reproduzir uma paisagem. Propôs olhar novamente para ela. “É uma obra impossível de passar despercebida. Além da sua riqueza histórica, carrega a lembrança da função têxtil, tão importante para Cataguases. E promover essa característica econômica e social por meio da minha habilidade cenográfica muito me engrandece”, afirma Claudia Marques.
Entre linhas, formas, materiais e lembranças, Maquete da Memória reafirmou uma ideia essencial para a preservação do patrimônio: conhecer é também uma forma de cuidar. E, em Cataguases, a memória da indústria, da arte e das pessoas que ajudaram a construir a cidade continua encontrando novas maneiras de ser contada
