Da bicicleta aos gramados internacionais: a trajetória de Matheus Alves Leandro inspira novas gerações

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Ex-participante do projeto Bola Cheia relembra como o Instituto Chica ajudou a transformar um sonho de infância em uma carreira internacional no futebol.

Quando Matheus Alves Leandro recorda os primeiros passos no futebol, a memória o leva às ruas de Cataguases, às bicicletas compartilhadas com o pai e aos treinos do projeto *Bola Cheia*, desenvolvido pelo então Instituto Francisca de Souza Peixoto. Foi ali que um sonho começou a ganhar forma. “O Bola Cheia era uma referência na cidade para quem sonhava em jogar em um grande clube. Minha passagem pelo projeto foi pouco mais de um ano, mas foi a minha motivação”, lembra.

Naquela época, o futebol era muito mais do que uma atividade esportiva. Era também um espaço de convivência, disciplina e esperança. O apoio da família foi decisivo. Matheus conta que o pai acreditava em seu futuro até mais do que ele próprio. “Lembro que meu pai me levava de bicicleta para os treinos, todas as terças e quintas, e também para os jogos regionais. O sonho dele era maior que o meu.”

Ao acompanhar outros jovens que conquistavam oportunidades em grandes clubes, Matheus passou a acreditar que também poderia trilhar esse caminho. A primeira visita ao Fluminense marcou profundamente sua visão de mundo. “Foi quando conheci uma realidade completamente diferente daquela em que eu vivia.”

Mesmo assim, o percurso esteve longe de ser simples. No início, ele era apenas mais um atleta em meio a tantos talentos. Vieram as dúvidas, as incertezas e os momentos em que pensou em desistir. A confirmação de que havia se tornado jogador profissional surgiu já longe do Brasil, quando foi emprestado para um clube da França. “Quando recebi meus uniformes e percebi que estava ali, sozinho, representando um clube, entendi que eu realmente era um jogador profissional.”

O maior desafio, no entanto, não aconteceu dentro das quatro linhas. “Ir para a França sozinho foi muito difícil. Eu já era pai e fiquei um ano sem ver meu filho.” Mesmo depois de conquistar espaço no futebol internacional, a saudade continuava presente. Matheus revela que, em diversas ocasiões, pensou em abandonar a carreira. “Quase o tempo todo. Lembro de uma noite de Ano-Novo em que eu só pensava que no dia seguinte teria que viajar novamente para longe de casa.”

Ao olhar para trás, ele faz questão de reconhecer quem caminhou ao seu lado. Entre essas pessoas está Wilmar, responsável pelo projeto, cuja postura ética permanece como uma das principais lembranças daquele período. “O Wilmar nunca deixou a gente criar falsas expectativas. Sempre foi muito ético e esteve ao lado de mim e dos meus pais. Ele tem parte de tudo o que deu certo na minha trajetória.”

Hoje, atuando no futebol internacional e sendo admirado por torcedores em países como a Indonésia, Matheus entende que sua maior responsabilidade é servir de inspiração para outras crianças e adolescentes que alimentam sonhos semelhantes. Para ele, a mensagem continua simples e poderosa: “Todo mundo precisa ter um sonho e seguir em frente. É o sonho que faz a gente planejar e manter o foco na vida.”

Ao rever uma fotografia registrada pelo Instituto em 2006, Matheus enxerga naquele menino a mesma esperança que ainda o acompanha. “Vejo uma criança que sonhava. Não tinha certeza de nada, mas carregava esperança. Quando olho para trás, é esse sentimento que permanece.”Histórias como a de Matheus Alves Leandro mostram que projetos sociais vão muito além das atividades oferecidas. Eles criam oportunidades, fortalecem vínculos e ajudam crianças e adolescentes a acreditar que seus sonhos podem atravessar fronteiras.