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O Movimento Modernista Verde, de Cataguases – MG: 1927 – 1929
Rivânia Maria Trotta Sant'Ana

“Em 1927, um grupo de jovens de uma cidadezinha da Zona da Mata mineira, chamada Cataguases, às margens dos rios Pomba e Meia-Pataca, resolveu criar um movimento literário modernista e sua Revista Mensal de Arte e Cultura, que receberam, ambos, o nome de Verde.” Inicia-se, assim, a apresentação do movimento modernista Verde, que lança luzes sobre fase importante da Literatura Brasileira, principalmente no que se refere às manifestações fora do eixo Rio-São Paulo.

Contribuição excelente para o estudo do Modernismo em Minas Gerais, a pesquisa de Rivânia Maria Trotta Sant’Ana faz uma revisão do movimento para redescobrir seus textos e discursos. Convém lembrar que, apesar de ter sido  realizado por um grupo de rapazes muito jovens, e do interior mineiro, o movimento alcançou considerável projeção na época, contando com o apoio de vários escritores brasileiros conhecidos – Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Antônio de Alcântara Machado, Carlos Drummond de Andrade e até de alguns estrangeiros, como Blaise Cendrars.

Preocupada com as fontes primárias, a autora buscou, além dos textos publicados pelos escritores do grupo na revista Verde, os livros publicados pela Verde Editora e as colaborações desses autores em outras revistas e jornais da década de 20, como Jornal Cataguases, Revista de Antropofagia e jornal Leite Criôlo.

A partir de análise textual criteriosa, a autora chega a algumas conclusões significativas. Aqueles jovens consideravam que a liberdade de expressão, que incluía a liberdade formal, foi o legado mais importante do movimento; mostraram preocupação com a questão social, a despeito da crença corrente de que a primeira fase modernista teve preocupação mais estetizante; puderam realizar a síntese dessa primeira fase do Modernismo brasileiro e preparar a transição para as propostas da década de 30, enxergando não apenas o Brasil mítico, mas também o Brasil real, histórico, dependente, com seus problemas sociais e seu processo de modernização contraditório.

Por causa da dificuldade de acesso a alguns textos – dispersos em diferentes jornais, publicados em livros de pequena tiragem e/ou que não foram reeditados – a pesquisa ainda apresenta uma coletânea preciosa para os estudiosos da literatura.

Dilma Castelo Branco Diniz (UFMG)

Rivânia Maria Trotta Sant’Ana
nasceu em Cataguases. É licenciada em Letras pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), mestra em Literatura Brasileira pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e doutoranda em Estudos da Linguagem, também pela UFMG. É professora do Departamento de Letras da Universidade Federal de Ouro Preto, onde, nos últimos anos, tem-se dedicado ao ensino de Língua Portuguesa.

 
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